
Se já desistiu delas, a resposta provavelmente é não. Ter em consideração as emoções por detrás das suas resoluções de ano novo (e sim, decidir não fazer resoluções este ano é uma resolução!) é fundamental para aproveitar ao máximo o próximo ano, e poucos de nós fazem-no corretamente.
Se já colocou de parte uma ideia que lhe pareceu improvável ou irrealista assim que lhe perguntaram quais as mudanças que planeia implementar em 2020 ou se já passou horas online a pesquisar sobre a formação de hábitos, é provável que não tenha gasto tempo suficiente a ponderar as suas resoluções do ponto de vista da inteligência emocional.
A inteligência emocional inclui a capacidade de reconhecer, compreender, expressar e regular adequadamente as suas emoções. Uma resolução emocionalmente inteligente é aquela que tem em conta o seu panorama emocional geral – o que realmente o faz feliz?
O que fazer para minimizar ou desabafar adequadamente as emoções negativas? Uma abordagem emocionalmente inteligente para alcançar a felicidade não é hedonista ou míope – mas sim a que considera a sua felicidade num todo e a longo prazo. Não se trata de se sentir confortável ou de evitar situações difíceis – as pessoas emocionalmente inteligentes são mais propensas a correr riscos ou superar situações difíceis, porque reconhecer uma emoção negativa é o primeiro passo para lidar com a situação.
Apresentamos de seguida os principais pontos a ter em consideração para avaliar as resoluções de ano novo através de uma perspetiva emocionalmente inteligente.
Como se sente antes, durante e depois?
Esta é uma das coisas mais importantes a considerar ao tentar criar ou eliminar um hábito. A verdade é que os primeiros trinta segundos de atividades significativas nunca serão tão divertidos ou fáceis, como os primeiros trinta segundos de um jogo ou de comer junk food. O erro que muitas pessoas cometem – e o erro que as pessoas bem-sucedidas aprendem a evitar – é usar este período inicial como um barómetro mental do quanto deseja realizar aquela atividade. As pessoas emocionalmente inteligentes não estão apenas conscientes dos seus sentimentos ao fazer a atividade – mas também de como se sentem no resto do dia.
Fazer resoluções de Ano Novo, e mantê-las, é um projeto de longo prazo e deve pensar sobre o assunto enquanto isso mesmo. Se atualmente, gosto de fazer exercício físico? Nem sempre. O meu professor, Devon Lévesque, publica histórias no Instagram relativas à forma como os seus clientes se encontram cansados durante e após os treinos, e eu não sou exceção. Nos dias em que não treino, percebo que tenho mais probabilidade de me sentir stressado e ansioso, tenho menos energia e o meu humor é menos positivo do que nos dias que em pratiquei exercício físico.
Faça isto por si
Uma das formas mais simples de perceber se alguém está a fazer uma resolução que não vai cumprir é perguntar o que os motiva as fazer a mudança. Se a resposta começa com “A minha irmã/cônjuge/pais dizem que eu preciso…”, não será necessário muito mais para saber que, em fevereiro, a resolução estará perdida.
Fazer algo por alguém é diferente de o fazer por si, como, por exemplo, “Eu quero ficar em forma para ser capaz de brincar com o meu filho” ou “Eu quero passar mais tempo com o meu parceiro” – esta motivação não depende do investimento ou do conhecimento de outra pessoa sobre a sua resolução.
A observação fundamental é: as resoluções são extremamente pessoais, e a única maneira de ser bem-sucedido é saber o que para si resulta e o que não resulta.
Confie no conhecimento que tem sobre si próprio
Há muitos fatores a ter em consideração ao fazer resoluções de Ano Novo, ou a decidir se as deve fazer. Existem diversos artigos sobre a construção de hábitos (e a eliminação de hábitos negativos) – é preferível escolher um objetivo menor e mais facilmente realizável ou ser ambicioso? É mais adequado começar no momento em que se decide fazer a mudança ou aguardar por um momento crucial, como o início do ano ou o aniversário? É mais sensato criar uma “cadeia ininterrupta” de hábitos ou se adaptar a um dia de cada vez? Mas a razão pela qual estes pontos (e muitos outros) são revistos ano após ano é que não existe uma resposta correta.
Para algumas pessoas, começar com pequenas mudanças permite-lhes construir a confiança necessária para uma maior mudança no estilo de vida, enquanto que para outras, faz mais sentido implementar todas as resoluções de uma só vez. Por vezes, concentrar-se numa “cadeia ininterrupta” de resoluções é mais útil e, por vezes isso pode implicar que ao primeiro contratempo, a resolução caia por terra. Às vezes, contar aos outros sobre as nossas resoluções cria uma certa responsabilidade e, às vezes, reduz a motivação porque falar sobre determinado objetivo implica pensar em como fazer progressos.

A única maneira de fazer uma resolução durar é estar verdadeiramente consciente sobre os seus pensamentos e sentimentos durante todo o processo de mudança – ou de decisão de mudança – e descobrir o que funciona para si.
Que 2020 seja, para além das resoluções, um ano de concretizações e sucessos.
O sucesso está nas pessoas, o sucesso está em si.
Feliz Ano Novo!
Artigo original: Are Your New Year’s Resolutions Emotionally Intelligent? (Forbes)



