Com a crise pandémica, mantendo as pessoas fisicamente separadas umas das outras, gestos simples – como enviar um e-mail ou partilhar um recurso útil – podem inspirar uma sensação de união, refere o psicólogo de Stanford Greg Walton.
De acordo com a pesquisa de Walton, pequenas dicas sociais podem ter um grande impacto. O psicólogo descobriu que, as pessoas que trabalham sozinhas, se ouvirem apenas que podem colaborar em conjunto numa determinada tarefa, aumenta a sua motivação e satisfação no trabalho. Nas questões realizadas ao psicólogo, iremos constatá-las.
Walton é professor associado de Psicologia na Escola de Humanidades e Ciências. Muitas das suas pesquisas observam os processos psicológicos que contribuem para os principais problemas sociais e como as intervenções direcionadas e podem ajudar a resolvê-los.
A pandemia atual afetou alguns locais de trabalho, fazendo com que algumas organizações trabalhem remotamente. Como é que as pessoas podem sentir que ainda estão a trabalhar juntas, embora estejam distantes fisicamente?
Walton refere que é importante lembrar que a “união” é uma experiência objetiva e psicológica. Podem estar fisicamente separados, mas ainda assim terem um sentimento de união e trabalho em equipa.
Esse sentimento de união também é importante no local de trabalho. Em vários estudos, observou-se a hipótese de que dicas simples para trabalhar em conjunto, aumentariam a motivação das pessoas.
Efetivamente, as pessoas extraem a motivação pela oportunidade de trabalharem com outras pessoas.
Existe alguma sugestão para inspirar a união entre colegas de trabalho que se encontram a trabalhar remotamente?
Para aqueles que têm a sorte de ter um trabalho em que podem continuar remotamente, existem maneiras de manter um senso de união e um propósito comum. Pode estar sozinho, na sua casa e a trabalhar para concluir um projeto. Mas se receber um e-mail de um colega de trabalho com algumas ideias ou sugestões para o seu projeto, pode sustentar a sensação de que estão a trabalhar em conjunto para realizar o mesmo trabalho.
Que ambiguidades comuns são demonstradas acerca da motivação?
Um dos maiores equívocos sobre a motivação é o que define que esta se remete apenas a si. É a ideia de que motivado pelo que lhe interessa, pela sua paixão, pelo que é bom ou pelo que escolhi para si.
Há verdade nisso. Mas está incompleto. As pessoas são fortemente motivadas por outras pessoas. Relacionamentos diretos entre as pessoas também são importantes para aumentar a motivação. Descobrimos que sugestões tão pequenas quanto um aniversário partilhado podem criar um senso mínimo de conexão social entre as pessoas – e isso pode facilitar a partilha social da motivação.
Porque é que a união é importante?
O ser humano é um animal social e feito para estar próximo dos outros. É por isso que a sensação de solidão, especialmente por longos períodos de tempo, é uma das experiências mais tóxicas que uma pessoa e um corpo podem ter. É um fator de risco maior para a morte ou desenvolvimento de uma doença do que fumar.
Uma enorme vantagem competitiva que temos como espécie é que estamos dispostos a trabalhar com outras pessoas em tarefas comuns. Procuramos aprender uns com os outros e a partilhar rapidamente as inovações que uma pessoa desenvolve. Se outra pessoa encontrar uma maneira melhor de construir um widget, podemos copiá-la. E estamos motivados para colaborar, para compartilhar objetivos e esforçarmo-nos para realizar tarefas conjuntas. Nenhuma pessoa, sozinha, pode construir um negócio multinacional ou desenvolver uma vacina. Mas podemos fazer essas coisas em conjunto. O desenvolvimento cultural e a mudança aceleram porque somos capazes e motivados para trabalhar em equipa.
Qual o melhor conselho para os tempos atuais?
Vamos socializar à distância! Vamos manter-nos em pensamentos, estender a mão, comunicar e trabalhar conjuntamente nos problemas que enfrentamos, para que possamos fazer progressos para as nossas famílias, as nossas comunidades, no nosso país e no nosso mundo.
Artigo original: Inspiring connections while working apart | Stanford News



