
Liderar pessoas é um dos papéis mais desafiantes que podemos assumir na vida. Requer uma vasta gama de habilidades, educação e paixão. Na maioria das vezes, quando assumimos um papel de liderança, fazemo-lo porque queremos fazer a diferença. Como líderes, sabemos que vamos trabalhar longas horas, fazer sacrifícios e andar na montanha-russa do sucesso e do fracasso.
No entanto, a ocupação que acompanha a liderança no mundo de hoje – 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano –, distrai-nos do que é importante e limita nossa capacidade de liderar com excelência. Quando somos realmente honestos connosco, talvez tenhamos que admitir que há muitas vezes em que nos sentimos como se estivéssemos passando o dia a apagar fogos e a perder tempo, em vez de fazermos o melhor que podemos.
É necessário que assim seja? Felizmente, a resposta é não.
Quando consegue parar, aumenta a probabilidade de fazer escolhas conscientes, que é o que precisamos que os líderes façam. Essas escolhas geralmente levam a um cenário win-win-win: bom para a organização, bom para os colaboradores e bom para a comunidade.
Mas então, o que é exatamente um líder mindful?
Um líder mindful, consciente, incorpora a presença na liderança e ao serviço dos outros, cultivando o foco, a clareza, a criatividade e a compaixão. A presença na liderança é uma qualidade tangível. Requer uma atenção completa e sem julgamento, no momento presente.
Uma vez, um amigo participou numa manifestação local para esclarecer uma questão de saúde com o candidato à presidência da altura, Bill Clinton. É claro que, quando ele chegou, enfrentou uma multidão que gritava, mas ele dirigiu-se junto à barreira policial e esperou. Clinton chegou e começou a andar pela barreira, distribuindo apertos de mão. Quando o meu amigo estendeu a mão a Clinton, “gritou” a sua pergunta. Nesse momento, o candidato parou, encarou-o e respondeu-lhe. Depois, o meu amigo disse: “Nos poucos momentos em que conversamos, parecia que Clinton não tinha mais nada em mente. Era como se não houvesse outra pessoa ali”. Ele sentiu-se ouvido e respeitado. E este é o papel da presença na liderança: prestar atenção ao presente e permitir que os outros tenham consciência disso.
A presença na liderança é poderosa. Ao longo da vida, provavelmente tem memória de momentos em que sentiu a presença de um líder, em si mesmo ou noutra pessoa. Pode ter sido numa conversa pessoal, ou numa plateia cheia de pessoas. A presença pode ser sentida mesmo de longe.
Pode também recordar-se de experiências muito mais comuns, em que sentiu que a pessoa com quem estava a falar não estava realmente presente. Como todos nós, mesmo quando pretendemos estar concentrados, a mente distrai-se facilmente – a pensar no passado ou no futuro, e apenas parcialmente no presente. Nesses momentos, não está a incorporar a capacidade inata que todos possuímos, a capacidade de estar presente.
E por que é que que isto acontece? O que sabemos sobre “estarmos presentes”?
Inicialmente, pode recordar-se de um momento do qual teve plena consciência. Quando não parecia haver mais nada para além daquilo. Pode ter sido um momento importante como o nascimento do seu filho. Naquele momento, o tempo pareceu parar e nada mais existia a não ser o calor daquele ser a dormir nos seus braços. Não estava distraído com a lista de tarefas ou com os barulhos da sala. Toda a sua atenção – mente, corpo e coração – foi completamente absorvida.
Ou pode ter sido um momento comum, que foi negligenciado e não particularmente celebrado. Um pôr do sol. Talvez se lembre desse momento em que parou e se concentrou na sua beleza, durante o tempo que pareceu uma eternidade, mas que realmente podem ter sido só alguns segundos. Naqueles segundos, foi capaz de se aperceber das cores, das luzes, sentir a energia e a pertença a algo maior.
Talvez um dia tenha estado num café, com a mente concentrada no trabalho, e tenha levantado os olhos e reparado num quadro ou o aroma quente e reconfortante da loja. O que quer que fosse, interrompeu a mente ocupada, e permitiu que vivesse o momento mais plenamente.
Esses momentos são o que dá significado à vida. Além disso, para aqueles que têm posições de influência, a capacidade de estar presente não é apenas crítica para nós como indivíduos, mas tem um efeito cascata sobre aqueles que nos rodeiam: as nossas famílias e amigos, a organização em que trabalhamos, a comunidade em que vivemos e, potencialmente, o mundo em geral. Assim, como uma pedrinha lançada num lago tranquilo pode criar ondulações que se espalham, a presença na liderança também pode ir além do efeito que ela tem sobre nós.
As duas qualidades de um grande líder
Não é que os números não sejam importantes, porque são. O que diferencia as pessoas como líderes, no entanto, é algo muito maior do que as métricas quantitativas. As pessoas que chamamos à mente nesta reflexão tocaram-nos, inspiraram-nos e fizeram com que sentíssemos a sua liderança. As qualidades podem ser reunidas em apenas duas capacidades, que são incorporadas por aqueles que identificamos como líderes com excelência.
Capacidade de se conectar – consigo, com os outros e com a comunidade. Conectar-se consigo é a forma como nos mantemos fiéis aos nossos valores e ética. É a direção que tomamos no meio do caos. A capacidade de nos conectarmos autenticamente com os outros contribui para um ambiente organizacional que valoriza a inclusão. Conectar-se com a comunidade é a capacidade de ver o todo e não apenas o foco nas minúcias de um único objetivo. Esta conexão mais ampla traduz-se na forma como as grandes organizações dão sentido à sua existência e inspiram os seus colaboradores.
Capacidade para iniciar ou gerir eficazmente a mudança. A palavra importante é “eficazmente”. Liderar não deve assentar numa postura de comando e controlo, mas sim, numa postura de colaboração, de ouvir com curiosidade, abertura e disposição para, algumas vezes, viver dentro numa ambiguidade até que uma decisão se torne clara. É também essa capacidade que alimenta a disposição de um líder de ter uma atitude corajosa, levar a organização a novas metas e olhar para os fracassos como oportunidades de aprendizagem.
Artigo original: Transforming Leaders into Mindful Leaders




